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| Ex-primeira-dama francesa, Valerie Trierweiler em outubro de 2012 em Chambly (AFP, Miguel Medina) |
Valérie Trierweiler, a ex-primeira-dama mal-amada da França
Paris — Valérie Trierweiler, de quem François Hollande se separou
oficialmente neste sábado após a revelação de sua relação com uma atriz,
cumpriu seu papel de primeira-dama da França à duras penas, apesar dos
esforços para melhorar sua imagem. O anúncio pontua uma longa
sequência melodramática que envolve: fotos do presidente, de 59 anos, de
capacete e scooter, indo ao encontro da atriz Julie Gayet, 41 anos; uma
hospitalização de emergência durante oito dias por causa de um "estado
de choque"; e uma imprensa ávida por saber o futuro do casal
presidencial. Após sua hospitalização, a companheira do presidente
ganhou - para fins de repouso - uma nova residência perto do Castelo de
Versalhes, nos arredores de Paris. Ela deve ir neste domingo à
Bombaim, na Índia, para participar de um evento humanitário promovido
pela ONG Ação contra a Fome. Uma viagem paga pelos patrocinadores da
organização não-governamental e não pela presidência. Valérie
Trierweiler não falou publicamente desde a revelação do caso
extra-conjugal do presidente, no último 10 de janeiro, pela revista de
celebridades Closer. Ela se limitou apenas a agradecer as mensagens de
apoio por meio de um tweet no dia de sua saída do hospital. Entre
aqueles que se solidarizaram com ela esteve Bernardette Chirac, 80 anos,
que teve que lidar com a fama atribuída a seu marido, o ex-presidente
Jacques Chirac (1995-2007). O lugar de cônjuge do presidente é "muito
difícil", disse Bernardette. No momento de sua chegada ao Eliseu,
em maio de 2012, Valérie Trierweiler reivindicava sua liberdade de
expressão, considerando lógico manter seu cargo de jornalista na popular
revista Paris-Match. Na França, o papel de primeira-dama é
desprovido de qualquer estatuto, mesmo que ela tenha direito a um
gabinete e a verbas específicas. "Minha personalidade é forte, não
podem me tolher", disse em abril de 2012 esta mulher elegante, de
estilo clássico e cabeleira esvoaçante. "Eu não serei um enfeite",
lançou Trierweiler a um jornal britânico. Seus detratores a
criticam por ter apoiado abertamente, por meio de um tweet, um candidato
socialista adversário de Ségolène Royal, ex-companheira de Hollande e
mãe de seus quatro filhos. A atitude da jornalista foi julgada
negativamente na França e sua personalidade, vista como arrogante, lhe
valeu a antipatia de inúmeros franceses. Um deputado de direita a
apelidou de Rottweiler, numa polêmica alusão ao seu sobrenome. Após
a revelação da revista Closer, alguns deputados da oposição se
mostraram virulentos. "É normal que ela continue no Eliseu às custas do
contribuinte enquanto o presidente tem outras relações? Quem é hoje em
dia a primeira-dama?", perguntou Daniel Fasquelle, do partido UMP. Valérie
Trierweiler e François Hollande, que viviam juntos desde 2005, não eram
casados - situação inédita no país. Mesmo assim, ela não teve sua
participação nas atividades de seu companheiro reduzida, e compareceu a
compromissos oficiais, viagens ao exterior e cerimônias em Paris. Sua
última aparição ao lado do presidente foi no dia 8 de janeiro. Nascida
em 16 de janeiro de 1965 em Angers, no oeste da França, Valérie
Massonneau, quinta filha de uma família de seis crianças passou a
infância num bairro popular. Ela é formada em ciência política
pela prestigiosa universidade Sorbonne. Na revista Paris-Match ela
conheceu aquele de quem ela leva até hoje o nome, Denis Trierweiler -
com quem ela teve três filhos - colaborador ocasional da revista e
tradutor de filósofos alemães. Valérie Trierweiler saiu dos
bastidores em outubro de 2010. "Ela é a mulher da minha vida", revelou o
então secretário do Partido Socialista Hollande a uma revista de
celebridades. Fonte: AFP
26-01-2014
