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| Policiais abordaram parte dos frequentadores da Cracolândia exigindo que deitassem ao chão e colocassem as mãos na cabeça |
Ação da Polícia termina em tumulto na Cracolândia, em SP
Houve uso de gás lacrimogênio, balas de borracha e spray de pimenta contra usuários
Moradores e usuários de crack da rua Barão de Piracicaba, na região
da Cracolândia, em São Paulo, relataram suposto uso excessivo de força
por parte da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira. Em entrevista ao Terra,
sob condição de anonimato, eles disseram que ao menos 10 viaturas da
Polícia Civil chegaram ao local por volta das 15h, utilizaram balas de
borracha, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio durante a
abordagem. Uma moradora relatou ter visto uma usuária de crack sair ferida durante a
ação. "Moro aqui há nove anos e os dependentes nunca me fizeram mal.
Hoje a polícia chegou dando tiros e usando bombas. Corri para dentro de
casa, para me esconder. Tive mais medo da polícia do que dos usuários",
relatou. De acordo com dois dependentes químicos, os policiais abordaram parte
dos frequentadores da Cracolândia exigindo que deitassem ao chão e
colocassem as mãos na cabeça. "Soltaram bombas; teve muito tiro.
Deitaram a gente com a mão na cabeça aqui na calçada", disse uma usuária
de crack de 40 anos, há seis anos na Cracolândia. "Jogaram spray de
pimenta na nossa cara. A bomba comeu solta: parecia o duende verde do
Homem Aranha", completou um rapaz de 19 anos, há três meses na
Cracolândia. Outros moradores da região também se disseram
amedrontados com a movimentação da polícia durante a tarde. "Policial
chega aqui, muitas vezes, escrachando as famílias. Hoje não foi
diferente", disse outro morador, sem se identificar. O prefeito de
São Paulo, Fernando Haddad, ficou surpreso com a operação e deixou às
pressas um evento com o pré-candidato do PT à eleição estadual e
ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Fonte: Jornal do Brasil / Terra
24-01-2014
