Policiais militares do Batalhão de Choque desocupam neste momento o
prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Estádio Jornalista Mário
Filho, o Maracanã, na zona norte do Rio. Alguns dos manifestantes que ocupavam o local saíram voluntariamente, enquanto outros foram retirados pela polícia. Uma pessoa foi detida e levada para a delegacia. Um grupo permanece no terraço do prédio, negociando com a Polícia
Militar. Segundo alguns manifestantes, a polícia chegou depois que eles
ocuparam, no sábado, o prédio anexo que pertenceu ao Ministério da
Agricultura. O comando do Batalhão de Choque não soube informar se
existe mandado de reintegração de posse e disse apenas que cumpre
determinação do Comando da Polícia Militar. "Temos grávidas e crianças lá dentro. Estamos tentando ver se
conseguimos continuar aqui. Querem nos tirar daqui de qualquer jeito por
causa desta Copa do Mundo. Não sou contra a diversão do futebol, mas
vejam o preço que muitos estão pagando, como os índios e os moradores de
comunidades que estão sendo removidas", disse a professora da rede
estadual Mônica Lima, que ocupava o prédio e foi retirada pela polícia. No momento em que a polícia entrou no prédio, manifestantes subiram no
edifício, que tem três andares, e tentaram dificultar a subida dos
policiais retirando degraus de madeira da escada. O grupo voltou a ocupar o prédio em agosto, depois da Copa das
Confederações, e reivindica que o local se torne um centro de referência
indígena, inclusive com a criação de uma universidade. A primeira
ocupação, iniciada em 2006, foi removida em março deste ano por
determinação da Justiça. Segundo a Secretaria de Cultura do Rio, o local abrigará o Centro Estadual de Estudos e Difusão da Cultura Indígena.
O prédio do antigo Museu do Índio foi construído no século 19 e abrigou
o Serviço de Proteção ao Índio, comandado pelo marechal Cândido Rondon.
Transformado em museu, o local teve entre seus diretores o antropólogo
Darcy Ribeiro. O governo do Rio cogitou demolir o prédio, como parte das
obras de reforma do Maracanã, mas, depois dos protestos, desistiu. Fonte: jcnet
16-12-2013