Vítimas de estupro em Vila Olímpica estão indignadas, diz delegada



Lutador marroquino foi preso na manhã desta sexta-feira.
Ele é suspeito de estuprar duas camareiras brasileiras na quarta-feira (3)


A delegada Carolina Salomão, da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes), disse à imprensa nesta sexta-feira (5) que as camareiras que relataram estupro por parte do atleta marroquino Hassan Saada, na Vila Olímpica, estão indignadas.

De acordo com a delegada, ele teria chamado as duas camareiras como se quisesse pedir uma informação. Quando elas entraram no quarto para ver o que o boxeador queria, ele as atacou e começou a apertar as coxas de uma delas e os seios da outra.

Hassan Saada estava com mais dois atletas no quarto, que nada teriam feito com as duas mulheres. Segundo a polícia, elas conseguiram se desvencilhar e saíram do quarto.

O Código Penal diz que o crime de estupro se configura se o autor forçar a vítima a ter conjunção carnal, praticar ato libidinoso (qualquer um que vise prazer sexual) ou obrigar a vítima a permitir que se pratique ato libidinoso com ela. Portanto, qualquer ato com sentido sexual praticado sem consentimento é considerado estupro. Entenda o que diz a legislação brasileira.

"A gente espera que [a prisão] sirva de exemplo. Para nós, mulheres, é um desrespeito muito grande. Independente da cultura, a lei é o que vale. Pode andar com mais roupa, menos roupa. Há alguns boatos de que houve outros casos na Vila Olímpica. Elas estavam bastante indignadas com o desrespeito", disse Salomão.

Prisão temporária
 
A prisão temporária do boxeador foi decretada pelo Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos, com base em provas reunidas por investigadores da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). A juíza Larissa Nunes Saly autorizou na quinta-feira (4) a prisão temporária.

O atleta iria competir neste sábado (6), às 12h30, no Pavilhão 6 do RioCentro, com o turco Mehmet Nadir Unal, mas pode estar fora da competição porque deve ficar preso por 15 dias. (Saiba mais detalhes sobre o lutador)

"Ele está preso. Só vai [competir amanhã] se conseguir um habeas corpus, mas está preso. Até o COI [Comitê Olímpico] deu a entender que, ao saber da ocorrência, ele seria expulso das Olimpíadas," disse a delegada.

O Comitê Rio 2016 afirmou que está ciente do caso, que a prisão extrapola o âmbito esportivo e que vai colaborar com as investigações no que for necessário.

Transferência para Bangu
 
Ele deve ser transferido ainda nesta sexta feira da delegacia para um presídio em Bangu, na Zona Oeste. Como não tem nível superior, deve ficar detido em presídio comum.

Natural de Casablanca, maior cidade marroquina, Saada conseguiu a classificação para a Olimpíada na categoria meio-pesado apenas em junho deste ano no torneio qualificatório em Baku, no Azerbaijão. Ele foi o nono colocado no Mundial de boxe de 2015, em Doha.
 
Lutador de boxe marroquinho é suspeito de estuprar camareiras brasileiras na Vila Olímpica (Foto: Reprodução / Facebook)
 
 
Outra suspeita de estupro

No domingo (31), o segurança Genival Ferreira Mendes, funcionário da empresa Gocil, que presta serviços ao Comitê Rio 2016, foi autuado em flagrante suspeito de praticar ato libidinoso contra uma bombeiro civil dentro do Velódromo, no Parque Olímpico.

De acordo com o Comitê Rio 2016, a empresa Gocil foi notificada de que o funcionário "infringiu o código de conduta e ética do Comitê". 

 
 
 
 
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Fonte: G1 05.08.2016
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