Vinte e cinco deputados abandonam o Syriza e criam o Unidade Popular

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Tsipras disse num discurso televisivo que esperava um acordo melhor e que quer revalidar o apoio da população Louisa Gouliamaki/AFP


Ala esquerda do Syriza concretiza ameaças e forma novo partido que não conta com Varoufakis ou com o Presidente do Parlamento grego, também críticos do acordo
 
Vinte e cinco deputados da ala esquerda do Syriza abandonaram nesta sexta-feira o partido do demissionário primeiro-ministro grego Alexis Tsipras e anunciaram a construção de uma nova força política: o Unidade Popular. Este novo partido, formado por alguns dos opositores às condições de austeridade do novo empréstimo dos credores à Grécia, é liderado por Panagiotis Lafazanis, o ex-ministro da Energia.

Era dado como certo que os deputados da Plataforma de Esquerda do Syriza abandonariam o partido antes das eleições antecipadas, que parecem agora uma inevitabilidade depois da demissão de Tsipras. Vários elementos já haviam anunciado um movimento nacional contra aquilo que entendem ser uma traição dos preceitos antiausteridade que guiaram a campanha do Syriza. Mas nem todos os críticos das cedências do Governo estão no novo Unidade Popular.

Nenhum dos 12 deputados que se abstiveram ou faltaram quando o Parlamento aprovou o novo programa fazem parte do Unidade Popular, e o mesmo acontece com seis dos deputados que votaram contra o pacote de medidas na semana passada.

Nem o ex-ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, ou o presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou, fazem parte dos 25 novos membros do Unidade Popular, embora ambos tenham votado contra o novo programa de empréstimo. O partido tem ainda tempo para crescer antes das eleições do final de Setembro, uma vez que as listas só fecham no dia 9.

Alexis Tsipras demitiu-se do cargo de primeiro-ministro na quinta-feira. Num discurso ao país, o primeiro-ministro demissionário admitiu que o seu Governo não conseguiu o acordo que desejava dos credores e afirmou que sentia a necessidade de se recandidatar para que fosse novamente avaliado pela população grega.

Ao fazê-lo, Tsipras deixou o Governo interino nas mãos do Presidente do Supremo Tribunal, Vasiliki Thanou, um crítico do novo programa, e abriu caminho para eleições antecipadas, que estão previstas para o dia 20 de Setembro.

Presidente convida líder do Nova Democracia para formar governo

Nesta sexta-feira, o Presidente grego, Prokopis Pavlopoulos, convidou formalmente o líder do Nova Democracia para tentar construir Governo e evitar um cenário de eleições antecipadas. Mas este convite não passa de uma formalidade, uma vez que o Nova Democracia tem apenas 76 deputados e teria de fazer uma coligação com todos os partidos no Parlamento, incluindo o Partido Comunista da Grécia e os neonazis do Aurora Dourada, para ter uma maioria de 151 deputados.

O novo programa de empréstimos foi aprovado na semana passada com o voto da principal oposição e por apenas 118 dos 162 deputados da coligação governamental. Abaixo, portanto, dos 120 necessários para que o Governo sobrevivesse a um voto de confiança.

O Unidade Popular tornar-se-ia a terceira força no Parlamento grego caso elegesse os seus 25 membros. À frente do To Potami, centrista, e do Aurora Dourada, cada um com 17 deputados. 

Fonte: publico 21.08.2015
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