Dilma se diz injustiçada, mas promete continuar lutando



Com expressão abalada e de cansaço, Dilma insistiu que é inocente e que não cometeu crime de responsabilidade.

Na segunda-feira (18), ocorreu a primeira entrevista da presidente Dilma depois da derrota na Câmara. Ela diz que foi injustiçada e também criticou o vice-presidente, Michel Temer. Além dele, criticou o presidente da Câmara e repetiu a defesa de que não cometeu crime de responsabilidade.

No Palácio do Planalto, a segunda-feira (18) foi dia de avaliar a derrota na votação da Câmara e definir estratégias para a próxima etapa do processo de impeachment no Senado.

A presidente Dilma Rousseff chamou os jornalistas para uma entrevista. Com uma expressão abalada e de cansaço, disse que está triste com a decisão tomada pelos deputados, que considerou injusta e repetiu que é inocente.

“Eu me sinto injustiçada. Injustiçada porque considero que esse processo é um processo e não tem base de sustentação. E é por isso que eu me sinto injustiçada. A injustiça sempre ocorre quando se esmaga o processo de defesa. Eu vou insistir: não há crime de responsabilidade”, declarou.

Um pouco antes da entrevista, uma das autoras da denúncia que deu origem ao processo de impeachment contra a presidente, a advogada Janaína Paschoal, falou novamente sobre os crimes que a presidente teria cometido.

“O governo está querendo criar uma ilusão de que aquela denúncia não diz o que diz. Se você pegar a Lei de Reponsabilidade Fiscal, você tem lá artigo 36 e o artigo 38. Esses dois dispositivos proíbem essa operação. O 36 proíbe a tomada de empréstimos por antecipação de bancos públicos. O 38 proíbe, inclusive, a tomada de empréstimos de bancos privados nessa modalidade por antecipação no ano eleitoral, mormente se o anterior não tiver sido resgatado”, afirmou a jurista.

Em outro trecho da entrevista, a presidente Dilma disse que não responde a nenhuma acusação de desvio de dinheiro ou enriquecimento ilícito, e fez referência indireta ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha.

“Eu não fui acusada de ter contas no exterior, por isso eu me sinto injustiçada. Eu me sinto injustiçada porque aqueles que praticaram atos ilícitos, que têm contas no exterior, presidem a sessão que trata de uma questão tão grave como é a questão do impedimento de um presidente da República”, disse.

Para o senador do PSDB, Tasso Jereissati, o fato de Cunha responder a processo não influenciou na condução do processo de impeachment na Câmara.

“Quem definiu o rito do impeachment foi o Supremo Tribunal Federal, corte mais alta de Justiça no Brasil. Quem fez a acusação de que era crime de responsabilidade, os atos que ela praticou, foram três juristas acima de qualquer suspeita”, disse o senador.

Sem citar o nome de Michel Temer, a presidente Dilma também criticou a postura do vice-presidente.

“É estarrecedor que um vice-presidente, no exercício do seu mandato, conspire contra a presidente abertamente. Em nenhuma democracia do mundo uma pessoa que fizesse isso seria respeitada”, afirmou Dilma.

Em Plenário, o senador Romero Jucá, presidente interino do PMBD, rebateu as acusações contra Temer.

“Não é o Michel que está dando um golpe. O Michel, volto a dizer, é o vice-presidente de uma chapa que foi eleita e que depois a presidenta cometeu crime. Nós estamos cumprindo a Constituição”, disse Jucá.

Na entrevista, a presidente disse que não vai se abater com a decisão da Câmara e que espera ter o direito de se defender no Senado.

“Nós estamos no início da luta. Esta luta, ela será muito longa e demorada. Ela não é simples e exclusivamente uma luta que envolve o meu mandato. Essa parte é muito importante para a democracia. O meu mandato. Não é por mim, mas é pelos 54 milhões de votos que eu tive”, afirmou.

Para o lider do PSDB na Câmara, o fato de a presidente ter recebido os votos não é argumento para ficar livre de responsabilização por crimes.

“Para uma presidente que mentiu para os brasileiros, que tentou obstruir as investigações da Lava Jato, que queria proteger o ex-presidente da Justiça, o ex- presidente Lula, isso é muito feio, realmente não dá para vir com esse tipo de conversa que não convence a ninguém”, disse o líder do PSDB, deputado Antônio Imbassahy.

Mais cedo, deputados aliados ao governo, que votaram contra o impeachment, foram ao Planalto prestar solidariedade à presidente.

A presidente Dilma reconduziu aos cargos três ministros: o do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, o da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, e o da Saúde, Marcelo Castro. Eles saíram temporariamente do governo para reassumir os mandatos de deputado e votar contra o impeachment na Câmara no domingo (17). Já o ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes, que também se afastou, mas votou a favor do impeachment, não vai voltar para o governo.

O Diáfio Oficial desta terça-feira (19), traz também a exoneração do ministro das Cidades, Gilberto Kassab.

O vice-presidente Michel Temer não quis comentar as declarações da presidente Dilma.

Em nota, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que a presidente Dilma deveria se ater a explicar as denúncias de crime de responsabilidade que pesam contra ela.

Cunha disse também que a presidente Dilma era presidente do Conselho da Petrobras quando, segundo ele, ocorreu o maior esquema de corrupção do mundo.






Fonte: G1   19.04.2016
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