Vídeo do papa criticando ‘esquerdistas’ por protestos no Chile contra abusos cria polêmica





Um vídeo de um minuto e 20 segundos de duração colocou o papa Francisco no centro de uma polêmica envolvendo um escândalo de abusos sexuais no Chile.



Gravado no início de maio, mas vazado apenas no último fim de semana, o vídeo mostra o pontífice criticando o que chama de "críticas de esquerdistas" à escolha do bispo da diocese de Osorno, cidade do sul chileno com população de 145 mil pessoas.



O bispo em questão, Juan Barros, foi colaborador próximo de Fernando Karadima Fariña, proeminente sacerdote obrigado pelo Vaticano em 2011 a se aposentar por conta de uma série de denúncias de abusos.

Vítimas destes abusos acusaram Barros de tê-lo acobertado, mas este nega ter tido conhecimento dos crimes cometidos por Fariña.

A nomeação de Barros para Osorno foi criticada até mesmo dentro das fileiras católicas no Chile, com colegas de sacerdócio pedindo sua renúncia. Desde sua ordenação, em março, a cidade chilena é palco de intensos protestos semanais.

Francisco, no entanto, defende Barros no vídeo, em resposta a uma pergunta feita pelo secretário-geral da Conferência Episcopal Chilena, Jaime Coiro, durante uma audiência no Vaticano. "Sou o primeiro a julgar e castigar alguém que receba acusações deste tipo. Mas neste caso não há prova alguma", diz o papa na gravação, com o dedo em riste.


Juan Barros era ligado ao polêmico padre Fariña, punido pelo Vaticano por abusos sexuais

"Osorno sofre de maneira desnecessária. Usem a cabeça e não se deixem levar pelos esquerdistas".
Francisco também expressa a opinião de que os protestos têm cunho político.

"A única acusação que houve contra esse bispo (Barros) foi desacreditada por um tribunal".
Barros não foi alvo direto de nenhuma das muitas ações judiciais que ainda são movidas contra Fariña, mas teve que depor em processos investigando os crimes do colega.

A ordenação em Osorno, em março, tem provocado protestos constantes na cidade chilena


Diversas vítimas do padre acusaram Barros de acobertar suas ações.


O vídeo foi gravado pelo fiel argentino Rodolfo Sykora em um tablet. Coiro diz ter recebido o material no mês seguinte. Em entrevista à mídia chilena, Sykora contou ter enviado o vídeo para Coiro com uma senha, para evitar vazamentos. Coiro nega ter distribuído o conteúdo.

O bispo Barros, no entanto, usou a ocasião para agradecer ao apoio do papa.

No entanto, Marie Collins, vítima de padres pedófilos e diretora de uma ONG britânica que trabalha com o Vaticano na questão do abuso sexual, criticou a atitude de Francisco. "Estou triste e desalentada (com o vídeo)".

Ciro Benedittini, vice-diretor do departamento de imprensa do Vaticano, disse à BBC Mundo que não haveria um pronunciamento oficial sobre o vídeo.
 
Fonte: BBC 07.10.2015
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